Review: Coppelion

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Eu sou uma pessoa, não uma boneca…

1. HISTÓRIA

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Uma enorme tragédia abalou a capital japonesa no ano de 2016 por conta de elevados níveis de radiação que se espalharam pela cidade, sendo totalmente impossível continuar vivendo por lá, mas mesmo com grandes riscos algumas pessoas permaneceram no local por inúmeros motivos. 20 anos após o acidente nuclear, um trio de jovens garotas estudantes ruma a esta Tóquio fantasma a fim de salvar vítimas desta tragédia. Por que aceitaram esta jornada? Elas conseguirão salvar os humanos que ainda vivem nesta Tóquio radioativa? Conseguirão elas trazem mais esperança à cidade? Por que só agora? Por que elas se autodenominam Coppelion? O que é a unidade Coppelion?

2. EFEITOS VISUAIS / FOTOGRAFIA

A fotografia de Coppelion foi certamente uma das mais ricas possíveis da temporada de outubro 2013, os cenários desenhados eram maravilhosos desde paisagens naturais a até mesmo a cidade devastada conseguindo transmitir a sensação de que a Tóquio de 2036 é realmente inabitável. Os efeitos visuais foram melhorando episódio após episódio sob direção de Makoto Furuta (K, Seitokai Yakuindomo) que conseguiu elevar o nível da animação nos últimos, visto que os primeiros foram fraquíssimos neste ponto. A movimentação das personagens não era tão dinâmica como deveria ser em cenas clássicas de perseguição ou até mesmo uma simples corrida, era tudo mecânico demais. Sem contar as luzes durante a animação que variaram arbitrariamente tendo cenas com o tom bem escuro ou claro demais sem necessidade destas mudanças. Entretanto, é válido citar que toda a animação melhorou MUITO nos últimos episódios! MUITO!

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Por outro lado, o character design do diretor Shingo Suzuki – também diretor do animê K – foi algo que me incomodou desde o início, as personagens apesar de muito bonitas tinham contornos extremamente grossos ao redor delas, não chega a ser aquela coisa horrenda vista em Uta Koi, entretanto, me assustou um pouco a princípio, apesar de que no decorrer dos episódios a atmosfera criada acaba fazendo com que você deixe isso de lado dando muito mais valor a narrativa. No geral, diria que Coppelion tem uma animação mediana para regular, mas exigir além do estúdio GoHands com o baixo orçamento que tiveram em mãos para dar vida a adaptação seria descaso. No fim, senti que eles deram seu melhor pelo animê, por isso tem meu reconhecimento e admiração.

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3. TRILHA SONORA / MIXAGEM DE SOM

Coppelion possui uma trilha sonora questionável, há momentos em que ela realmente faz diferença como no fim do episódio 4 e outros nem tanto, fico até receosa ao comentar algo a respeito, pois faz tempo que vejo uma obra em que a trilha sonora não me impacta de forma alguma, sendo que esta é uma das primeiras coisas que reparo quando vejo qualquer animação, filme, seriado, etc. Diria que Mikio Endo (Kfez um trabalho mediano, poderia ser melhor apesar de ninguém esperar algo espetacular de sua parte.

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Porém, algo que foi divinamente espetacular foi a banda angela – composta de dois principais membros: a vocalista atsuko e o guitarrista KATSU, que é também responsável pelos arranjos de modo geral. – que fez performances maravilhosas tanto na opening ANGEL como na ending Tooku Made. A ending chama atenção por conseguir de forma perfeita exaltar os sentimentos, preocupações e desejos das principais protagonistas da série, mas principalmente a personagem Ibara, que a todo momento na série de TV questiona até onde é seu limite como humana e se ela realmente é uma e por conta dessas ótimas indagações que decidi começar o post com um trecho da música.

Válido ainda lembrar que Coppelion teve uma ending especial em seu último episódio, a música Bye Bye All Right que foi também produzida pela banda angela, deu um fechamento emocionante à animação comovendo seus fieis espectadores.

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 4. ENREDO ADAPTADO E SEU DESENVOLVIMENTO

Baseado em um mangá seinen escrito e ilustrado por Tomonori Inoue, Coppelion chegou às televisões japonesas com atraso. A previsão para sua exibição era no ano de 2011, mas como todos sabem, um terremoto de 9.0 na escala Richter causou um dos maiores desastres naturais já vistos: Um tsunami de aproximadamente 10 metros devastou a província de Miyagi e ainda causou um enorme estrago à usina nuclear de Fukushima elevando o nível radioativo da região contaminando muitas coisas. Como exibir uma animação que contém em seu enredo uma catástrofe que envolve energia nuclear logo depois do país ter vivido algo tão terrível assim? Sem condições! Entretanto, em 2013 Coppelion deu as caras em uma ótima temporada de outubro. O animê correspondeu bem? Nem tanto, leitor querido e por quê?

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Não sei se a culpa foi minha por ter colocado uma enorme expectativa na obra, mas minha visão antes de assistir foi que talvez o animê pudesse ser a voz de uma nação que passou por um desastre, pensei que ali pudéssemos entender um pouco a respeito do quanto os japoneses sofreram em 2011. Coppelion02_002Em Coppelion, você vê bastante sofrimento, mas não diria que poderia ser a voz de uma nação, é uma narrativa comum que traz surpresas no final, mas até chegar lá é uma estrada longa e por vezes sonolenta. Os primeiros episódios possuíam um ritmo muito lento, além de inúmeros anticlímax decepcionantes e desnecessários, como visto logo de cara na transição do episódio 1 ao 2, o que foi aquilo? Difícil explicar, pois as boas cenas de ação na sequência não conseguiram nos fazer ver muito sentido no que aconteceu e talvez tenha sido logo neste começo que a desistência de expectadores começou. Outro ponto que desagrada demasiadamente no princípio é o drama das personagens, que ora são heroínas dentro de uma guerra contra si mesmas, outros humanos e a própria Tóquio fantasma, ora são apenas garotas perdidas que não sabem bem o que estão fazendo ali gerando constantes dramatizações que podem irritar quem assiste… Ou não. As alterações de humor e atitudes vêm do princípio que as mesmas possuem essência humana, mesmo que alguns as vejam como marionetes, e o ser humano apresenta muitas variações de humor, ainda mais em situações de risco em que muitas vezes a adrenalina e o medo falam muito mais alto que pensamentos lógicos do qual o cérebro pode criar. Além disso, há um motivo especial para que as personagens se mostrem nesta forma, há um dilema que as cercam e que está conectado com seu nascimento e desenvolvimento, afinal, o que são os Coppelion? Coppelion04_007Após você encontrar a resposta para esta pergunta, tudo faz sentido, mas como dito anteriormente, o problema é que a resposta demora a vir e hoje ninguém quer perder tempo com nada, se uma mídia de entretenimento não te conquista no início dificilmente você continuará tendo contato com a mesma a não ser que veja uma segunda opinião que te convença. Seria esta minha função aqui? Te convencer a ver Coppelion? Não sei responder esta pergunta, pois não é um animê que recomendaria para todos, não mesmo.

Coppelion04_006Se tratando ainda das personagens, Ibara teve um destaque essencial em toda a trama e mostrou realmente como uma protagonista deve ser independente  das circunstâncias que enfrenta. Como uma senpai, todas depositavam enorme esperança e confiança em sua personalidade incisiva e rápida em tomar decisões em momentos difíceis, que fizeram dela uma heroína para a obra desde o primeiro episódio, entretanto, nos últimos conseguimos ver isso melhor. Destaque também para a seiyuu da personagem, Haruka Tomatsu, que nos conquistou falando um maravilhoso dialeto de Fukui caracterizando muito bem a personagem. Foi um trabalho único de sua parte, visto que de outros oito animes que assisti – AnoHana, Ano Natsu de Matteru, Magi, Kakumeiki Valvrave, Maoyuu, Sword Art Online, To Aru Kagaku no Railgun (tinha que ter esse anime aqui né? lol), Tonari no Kaibutsu-kun e ela estava no elenco, nunca vi uma personagem dialogando nesta maneira. CoppelionOP_005Percebe-se que ela teve o cuidado de estudar bem a respeito do dialeto, além também de seu timbre de voz para transparecer todos os momentos ruins e bons de Ibara na animação, fazendo uma interpretação fantástica. Obrigada Ibara Tomatsu (LOL)! Outro que teve uma participação importante foi Haruto, fiquem de olho neste personagem que é totalmente shippável com a Ibara, socorro, pois é ele quem costuma introduzir os principais pontos da trama relacionadas à política e ciência.

Os fãs de sci-fi como eu, podem vibrar bastante principalmente nos últimos episódios onde o clímax se aproxima já que o embasamento de Coppelion tem variações muito boas. A biologia genética, engenharia, princípios físicos e químicos básicos são encontrados aqui das mais diversas maneiras, mas as mais interessantes são aquelas ligadas à trama e à ganância do ser humano na busca para um mundo melhor para uns, não para todos. A psicologia envolvida com todos aqueles que sofrem também são lampejos de luz na animação considerados importantes, sendo muitas vezes um alerta para o que os japoneses podem enfrentar nos próximos anos, visto que os níveis de radiação já estão altos em Tóquio!

E apesar de toda a trama ser bastante arrastada em diversos momentos, os últimos episódios conseguiram apresentar um desfecho muito bom e digno de tudo aquilo que esperávamos desde o começo da animação. Foi emocionante e preenchido de esperança para as personagens que acompanhamos  e também para os espectadores, que sentiram que valeu a pena ter tido paciência de acompanhar até o final, pois apesar de não ser uma obra prima, ao menos não foi um enorme desastre e até me deixou com vontade de ler o mangá, que devo fazê-lo mais a frente, mas quando eu estiver com paciência, pois este é o principal segredo para acompanhar a obra desde o início.

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5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Coppelion não empolga no início, e é preciso ter paciência para assistir, não somente com os eventos acontecendo quase de forma estática – apesar de que há algumas cenas de ação boas do quinto episódio para frente – mas também com o ser humano mostrado na animação que constantemente pode ter mudanças em seus princípios, humor, sentimentos e situações. A trilha sonora não tem destaque efetivo e a animação é mediana para ruim, apesar de ter cenários lindos e muitas vezes com demasiado significado importante evidenciando que a cidade ainda pode ter esperança. É uma história atraente com falhas que melhora a passos curtos e conclui de forma satisfatória porque as pessoas erram, mas não podem deixar de seguir em frente por isso,  exatamente como aquelas três meninas, que não são bonecas, são pessoas.

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2 comentários sobre “Review: Coppelion

  1. Saudações

    Acredito que sua análise sobre Coppelion foi muito sucinta, amiga Nayara. Avalio, para chegar a tal consenso opinativo, o fato de tu não ter se “deixado levar” pelo fatídico segundo episódio e, principalmente, por ter tratado os cinco últimos episódios da forma como os mesmos mereceram.

    A parte acústica não é marcante, sendo bem simples mesmo…
    Contudo, o tema de encerramento é algo para se levar muito em consideração.

    O ponto dos traços (arte dos personagens) é a minha única e real situação de discordância com a sua análise, nobre. Isto porque eu realmente não me senti afetado pelo que vi, pelo contrário: até gostei. O desenho aparenta ser mais “grosso” do que deveria, mas consegui ver isso de uma maneira diferenciada, que buscava dar um toque mais diferenciado para o anime em si.

    É bem verdade que Coppelion poderia ter sido muito melhor do que acabou sendo, isto é fato. Mas, graças aos últimos cinco episódios, foi possível sim fazer uma análise mais positiva da obra como um todo.

    Lhe parabenizo, amiga Nayara. Ficou ótimo o vosso texto.🙂

    Até mais!

    [Go! Go! Go! Alchemist Nany!!!]

    • Yo, Carlirio!

      Eu sempre gosto de escrever muito nas minhas análises, mas Coppelion não tinha muito o que dizer exatamente pelo fato de ter sido uma obra inconstante em diversos momentos, mas é sempre importante citar que os últimos cinco episódios são ótimos, dignos e importantes para a obra.

      Seu ponto de vista pela arte é interessante, Carlirio, pois onde você viu um toque diferenciado acabei considerando como algo mal feito e preguiçoso devido o baixo orçamento para a animação. Pensarei sobre o que disse, mas pelas alterações gráficas nos últimos episódios exatamente sobre traços, acho que prova que não era a intenção principal do staff deixar daquele jeito do início, pois caso fosse aquilo teria permanecido até o final, algo visto em UtaKoi, por exemplo.

      No mais, obrigada pelo comentário e elogios! ^-^

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