Review: Chouyaku Hyakunin Isshu Uta Koi

Vamos aprender um pouco mais sobre histórias japonesas conhecidíssimas? Com esse anime você viaja pelo período Heian descobrindo que um poema representa muito mais que você pensa.

AGRADECIMENTO ESPECIAL: Agradeço ao meu avô que me ajudou muito para montar este post, o cara é um livro! Sabia tudo do período Heian 😯 Arigatou, ojii-chan! 🙂

HISTÓRIA

Anime exibido na temporada Summer 2012 no Japão, Chouyaku Hyakunin Isshu: Uta Koi, contém 13 episódios retratando histórias por trás de alguns poemas de amor selecionados por Fujiwara no Teika, um famoso poeta do período Heian, e que estão presentes em um conjunto de poemas famosos chamados de Hyakunin Isshu. Nesse conjunto de 100 poemas no total, temos 25 poemas com temas variados, 4 poemas de verão, 6 poemas de inverno, 6 poemas de primavera, 16 poemas de outono e 43 poemas de amor que é o foco do anime, por isso o seu nome Uta Koi, que pode ser traduzido como poemas de amor. Apenas alguns e mais famosos poemas de amor são retratados no anime com fins didáticos e tentando resgatar um pouco da história e cultura esquecidas hoje em dia pela maioria do povo japonês. Outra importante menção no anime é a respeito da obra O Conto de Genji de uma poetisa famosa e pioneira pela luta da mulher naquele tempo chamada Murasaki Shikibu.

EFEITOS VISUAIS / FOTOGRAFIA

Aki Tsunaki, responsável pela animação do anime, não repetiu seu bom trabalho como visto em Harukanaru Toki no Naka de. O traço das personagens é bastante estranho à primeira vista por conta de seus contornos grossos e movimentos lentos que mostram. Os cenários não ficam muito atrás, entretanto, é importante dizer que apesar desse incômodo aparente você facilmente mergulha na história retratada fazendo com que a animação fique em segundo plano pela profundidade da história. Dá pra encarar! 😉

TRILHA SONORA

A trilha sonora de Uta Koi é mediana. Yasunori Mitsuda, conhecido por desenvolver a trilha sonora das animações de Inazuma Eleven, faz um trabalho muito bom em Uta Koi. Entretanto, a direção não soube aproveitar muito bem o talento do compositor na hora de encaixar suas músicas na animação fazendo que com as mesmas passem despercebidas, salve raras exceções. Não comove quando poderia, não diverte quando necessita, não entusiasma e vira um papel mais que secundário no anime.

A opening ficou sob responsabilidade da banda ecosystem, conhecida já daqueles que assistiram Gintama, cantando Love Letter from Nanika. Gostei tanto da animação quanto da música em questão, seu início é bastante tradicional combinando com a obra num todo, porém aos poucos a música acaba tornando-se contemporânea perdendo pontos com isso. Se o anime busca resgatar história, nada melhor que uma música 100% tradicional e condizente com as histórias apresentadas na sequência, não?

A ending é excelente, mas apresenta o mesmo problema. A banda SOUL’d OUT, que possui 3 membros da extinta banda Diggy-MO’ que já mostrou ótimas performances em Bleach e Soul Eater, fez um excelente trabalho ao desenvolver a música Singin’ My Lu, mas é contemporânea demais para Uta Koi. Você jamais levaria sua imaginação ao período Heian ouvindo essa música, ela é boa, mas não para Uta Koi.

ENREDO ADAPTADO E SEU DESENVOLVIMENTO

O anime me decepcionou de várias formas, apesar de que ainda o recomendaria para pessoas que gostam de histórias românticas e histórias japonesas tradicionais. Esperava mais da direção de Kenichi Kasai, não só por ter feito bons trabalhos em todas as temporadas de Bakuman, Honey & Clover, e Nodame Cantabile, mas principalmente por ter um valor histórico em suas mãos para trabalhar, se bem que acho injusto culpá-lo de tudo. Com certeza o orçamento para a adaptação deve ter sido bem curto já que o número de pessoas interessadas na obra não seria tão grande assim exatamente pelo seu conteúdo histórico, nem todos estão interessados. Ou você veria uma animação de Dom Pedro I com enorme interesse? Algumas pessoas sim, mas vamos combinar que a maioria não e Uta Koi poderia ser visto assim pelos japoneses.

Mesmo com o curto orçamento, algumas falhas de roteiro poderiam ter sido evitadas assim como alguns elementos bizarros inseridos que ficavam totalmente fora do contexto e era forçado. Uma falha grotesca que não poderia deixar de citar foi um comentário que Fujiwara no Shunzei fez sobre seu filho Teika dizendo que ele era teimoso como um garoto do ensino fundamental! Peraí, galera, ensino fundamental? Desde quando esse termo existia naquela época? Muitas garotas nem poderiam estudar e vários garotos estudavam em seus palácios para não se misturarem com uma classe abaixo da família que pertenciam, ficou muito incoerente. Poderiam dizer que o termo foi apenas para buscar uma proximidade com os dias de hoje e com os espectadores, e isso é feito no anime em vários momentos sendo algo muito positivo, mas nesse contexto não ficou muito bom.

WTF???

As aparições de Teika na praia, como a Torre de Tóquio, dançarina de balé, astronauta, entre outras foram forçadas ao extremo. Além de não acrescentar nada na história era bizarro ver “criador” do Hyakkunin Isshu naquelas circunstâncias! A intenção era uma aproximação dos espectadores com o período Heian para que tudo ficasse mais didático, mas isso poderia ser inserido dentro das histórias como acontece por diversas vezes e de forma inteligentíssima. Não tinha necessidade de colocar Teika nessas situações, a não ser que se tratasse de uma sátira e sabemos claramente que não é esse o objetivo do anime. O episódio 6 do anime foi outra coisa bizarra que prefiro nem comentar nesse espaço, se verem o anime simplesmente o pulem, senti que perdi 25 minutos da minha vida o assistindo. Talvez esteja sendo severa demais, pois esperava que o anime fosse uma adaptação mais didática ou fosse seguir uma linha mais fiel.

Apesar dessas falhas que podem acontecer com qualquer obra que é adaptada, eu me diverti bastante com Uta Koi. Pode não ser a recomendação perfeita de um material didático sobre o Hyakkunin Isshu, mas é um bom começo para depois se aprofundar. O modo como as histórias são contadas são bem lúcidas fazendo qualquer bom apreciador de histórias românticas gostar, sem contar que você facilmente mergulha nas histórias sentindo a dor da personagem que sofre por amor por diversos motivos como ter classe sociais diferentes da pessoa que ama. Os temas mais abordados foram não somente a diferença pela classe social em termos financeiros, mas também as diferentes posições que homens e mulheres ocupavam na época e a constante luta de algumas mulheres pelas suas liberdades já que muitas viviam presas em seus castelos ou não tinham muitas opções a não ser obedecer a seus pais, se casar e ter filhos.

Apesar de não fazer parte do Hyakkunin Isshu, achei interessante inserir Murasaki Shikibu na obra, já que podemos ver claramente seu sofrimento desde sua infância por ser inteligente e ao mesmo tempo mulher. Amigos caçoavam dela por ser inteligente, vê se pode isso! Apesar de ter encontrado seu caminho lutando para mostrar que uma mulher também pode ser forte, com certeza gostaria de ter nascido como um homem naquela época onde apenas eles tinham direito. Hoje a mulher vem ocupando bastantes espaços na sociedade tendo praticamente igualdade com o homem, mas sabemos que não é em todo lugar que isso acontece, basta exatamente olhar para o Oriente que vemos diversos exemplos. Eu nem disso preciso visto que posso ver de perto as tradições japonesas no relacionamento dos meus avós onde a mulher é totalmente submissa ao homem. Hoje é fácil falar que eu nunca abaixaria a cabeça para um homem, mas e na época da minha avó? E no período Heian? O quanto essas mulheres sofriam? Uta Koi exalta com perfeição esses pontos levando a discussões importantes.

É também interessante ver que por trás de cada simples poema sempre tem uma história profunda e muitas vezes dolorosas. Histórias que não falam apenas de amor, mas também orgulho, trabalho, e amizades. É ainda mais entusiasmante pensar que apesar de todas essas pessoas estarem mortas, deixaram um legado importante que será contado para ainda várias gerações. E você? Qual legado você quer deixar?

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Uta Koi é um ótimo começo para mergulhar no período Heian, mas é uma obra que mostra algo bem BÁSICO. Querendo se aprofundar eu recomendaria que cada um de nós pegasse um livro que contém essas histórias em uma biblioteca, ou se você tem avós japoneses conversem com eles. Não é uma obra brilhante porque tem falhas grotescas desde sua animação até o roteiro que não sei também se é muito bem adaptado do mangá, mas para quem gosta de histórias de amor é um prato cheio e de quebra ainda ganha um pouquinho de cultura japonesa. Pois é, se você não gosta muito de apreciar uma história de amor deve parar logo no episódio 3, senão for antes.

CHIHAYAAAAAAAAAA *-*

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3 comentários sobre “Review: Chouyaku Hyakunin Isshu Uta Koi

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